



O laboratório propõe a aproximação e cruzamento dos conteúdos que tangem as danças pertencentes a cultura do Rio Grande do Sul com os procedimentos e ferramentas de criação e reflexão em dança na contemporaneidade. O objetivo é atualizar, de forma sensível, o olhar para as manifestações culturais tradicionais do estado, de maneira reflexiva e crítica aos nossos fazeres.
Várias perguntas conduzem os trabalhos deste laboratório: O que são as danças gaúchas? Que dança é essa? O que, e, quanto de Brasil há nelas? O que mais se pode fazer com isso?
Essas e outras questões são colocadas em processo em atividades que discutem a bibliografia existente sobre o assunto, práticas investigativas, no que diz respeito a composição coreográfica e de movimentos, gestualidades e pantomimas, contexto histórico (abarcando política, economia e relações sociais). Considerando que boa parte, se não todas as referências usadas para pesquisas em manifestações culturais gaúchas (principalmente artísticas) advém dos séculos XVIII e XIX, e que balizam um tipo de fazer em dança, ainda no século XXI, quais relações são possíveis e cabíveis nestes contextos tão distintos? Seriam eles tão diferentes assim? Mais uma pergunta para o LAB.SCAVINO por em processo e reflexão.
Em suma, o laboratório pretende exercitar a análise e observação crítico - reflexivo acerca da dança na cultura gaúcha.
Com objetivo de estruturar uma metodologia de trabalho específica para os grupos de danças pertencentes ao Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), nasce o Projeto Tirana, que trabalha a potencialização da presença e expressividade cênica de bailarinos de CTG bem como a instrumentalização técnica para a compreensão, execução e finalização de movimentos, podendo, ainda, estender-se à composições e criações coreográficas.
Para além de todo o conhecimento histórico do que diz respeito a cultura e referências culturais das ditas tradições gaúchas, a dança, que é a atividade mais representativa e reconhecida do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), passou através dos anos por codificações com o intuito de basilar as avaliações dos festivais competitivos. Estes festivais são o principal palco para as danças tradicionais gaúchas e sua avaliação é feita a partir de um manual, Manual de Danças Tradicionais Gaúchas (CÔRTES, 1950), que traz como conteúdo o que, e como devem ser dançadas as danças que o constituem. Ao passo que códigos e regras foram sendo estabelecidos para a execução das danças tradicionais, não foram criadas ou propostas metodologias de ensino, fazendo com que se aprenda tais danças com base na cópia e repetição dos movimentos. Sendo assim, neste meio não há espaço para a investigação e ou reconhecimento daquilo que é dançado, se dança e ponto.
Reconhecido este cenário e considerando o trabalho executado dentro dos CTGs como pertencente ás produções no campo da dança, entendendo e reafirmando que o que se desenvolve nos grupos de dança dos CTGs é tão dança quanto qualquer outro trabalho da área, o Projeto Tirana propõe uma metodologia que prepara e instrumentaliza os bailarinos com conceitos e técnicas a respeito do corpo em movimento que facilitarão sua compreensão, entendimento e execução das danças tradicionais e das composições livres (coreografias de entrada e saída).